A nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, colocou no centro das investigações o senador Ciro Nogueira e o empresário Daniel Vorcaro. Segundo os autos da investigação da Polícia Federal, há indícios de um suposto esquema de favorecimento político e financeiro envolvendo interesses ligados ao Banco Master e a apresentação de uma emenda à PEC nº 65/2023.
De acordo com a investigação, a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024, previa a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A Polícia Federal sustenta que o texto da proposta teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master e encaminhado ao senador por intermédio de aliados do empresário Daniel Vorcaro. Ainda segundo os autos, a proposta foi entregue em envelope endereçado diretamente ao parlamentar, em sua residência.
As investigações apontam que a mudança legislativa beneficiaria diretamente o Banco Master, podendo “sextuplicar” os negócios da instituição financeira. Em mensagens anexadas ao processo, Daniel Vorcaro teria comemorado a apresentação da emenda afirmando que o texto “saiu exatamente como mandei”. A Polícia Federal avalia que a medida poderia provocar uma verdadeira “hecatombe” no mercado financeiro brasileiro, diante dos impactos econômicos e regulatórios da ampliação do limite do FGC.
A representação policial também detalha supostos benefícios concedidos ao senador. Entre os elementos citados estão a aquisição de participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão, pagamentos mensais recorrentes que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além da utilização de imóvel de luxo pertencente a Daniel Vorcaro como se fosse do próprio parlamentar. O inquérito ainda menciona custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes, voos privados e até a disponibilização de cartão para despesas pessoais.
Na decisão, o ministro André Mendonça afirma que os elementos reunidos indicam, em tese, “um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos”, extrapolando relações de mera amizade entre o senador e o empresário investigado. O magistrado destacou que os indícios apresentados pela Polícia Federal justificam o avanço das apurações.
Outro nome citado no processo é o de Felipe Cançado Vorcaro, apontado como integrante do núcleo financeiro operacional da suposta organização criminosa. Segundo a investigação, ele atuaria como operador financeiro de Daniel Vorcaro e seria responsável pela interligação entre decisões estratégicas e a execução das operações investigadas.
Os autos também mencionam negociações envolvendo a empresa Green Investimentos S.A. e participação societária na Trinity Energias Renováveis S.A.. A operação teria envolvido a venda de 30% da Green para a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários LTDA., administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira.
A defesa dos investigados ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações apresentadas nesta nova fase da Operação Compliance Zero.
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