O Ataque ao STF e o Perigo de um Congresso Sem Limites



Há um movimento em curso para enfraquecer o poder do órgão criado justamente para proteger a Constituição Brasileira: o Supremo Tribunal Federal. E quando se enfraquece a instituição responsável por defender os princípios fundamentais de uma nação, a pergunta inevitável surge: o que será do povo brasileiro?

Nos últimos anos, o STF exerceu papel decisivo em momentos críticos da história recente do país. Atuou para evitar que o desastre da pandemia da Covid-19 fosse ainda maior, diante de uma condução marcada por negacionismo e irresponsabilidade. Também teve papel central na preservação do processo eleitoral de 2022, diante de ataques sistemáticos promovidos por setores extremistas que tentaram desacreditar as urnas, as instituições e a própria democracia.

Mais adiante, o Supremo foi peça fundamental na reação institucional aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. E atuou contra quem? Em grande parte, contra setores da classe política profundamente comprometidos com interesses próprios e, muitas vezes, com práticas historicamente marcadas pela corrupção.

O país assistiu, nos últimos anos, ao sequestro do orçamento público federal, fenômeno iniciado ainda no período em que Eduardo Cunha comandava a Câmara dos Deputados, num contexto que culminou em um impeachment amplamente contestado. Muitos parlamentares enxergaram ali a oportunidade de ampliar poder, enriquecer e transformar mandatos em estruturas empresariais sustentadas por recursos públicos milionários.

Não por acaso, operações da Polícia Federal seguem revelando esquemas de corrupção que frequentemente têm os mesmos protagonistas: políticos.

Para esses setores, o STF passou a representar um obstáculo. Tornou-se o entrave para quem desejava continuar avançando sobre os cofres públicos sem limites. Era necessário, portanto, criar uma narrativa: transformar o Supremo no grande problema nacional e criminalizar a instituição que impunha freios aos abusos.

É evidente que o STF tem falhas. Como qualquer instituição humana, precisa de críticas, ajustes e aperfeiçoamentos. Mas seria razoável ignorar os graves problemas da classe política brasileira e concentrar toda indignação apenas no Supremo?

Parte desse projeto de desgaste avançou com a cumplicidade de setores da imprensa, que amplificaram discursos convenientes e ajudaram a consolidar a ideia de que “o problema do Brasil é o Supremo”.

A história mundial mostra que, em regimes autoritários, enfraquecer cortes constitucionais costuma ser passo estratégico. Quando a Suprema Corte perde força, cresce o poder daqueles que não aceitam limites.

Por isso, a pergunta que precisa ser feita aos brasileiros é simples e direta: queremos um Congresso forte e sem qualquer contenção institucional? Por que tantos políticos rejeitam decisões contrárias aos seus interesses? Por que decisões judiciais só são legítimas quando coincidem com suas vontades?

É preciso atenção redobrada. Se ministros do Supremo precisam de correções, muitos políticos precisam ainda mais. A narrativa contra a Corte não começou agora e vem sendo construída há anos.

Os microfones do Supremo são poucos diante da quantidade de parlamentares e grupos políticos espalhados pelo país. E diante disso, quem poderá defender a democracia?

A resposta continua sendo a mesma: uma sociedade politizada, vigilante e consciente algo que ainda estamos longe de alcançar plenamente.

A eleição de 2026 já começa a ser preparada por forças que desejam enfraquecer o STF, não por compromisso institucional, mas porque não aceitam limites para erros e abusos cometidos no Legislativo.

Os ataques dirigidos ao Supremo Tribunal Federal não surgem por acaso nem se explicam apenas por divergências institucionais. Em grande medida, eles decorrem da atuação firme da Corte contra grupos e agentes que tentaram enfraquecer as instituições, desacreditar o processo eleitoral e abrir caminho para a ruptura democrática. Ao impor limites aos que desejavam destruir a democracia brasileira, o STF tornou-se alvo preferencial daqueles que nunca aceitaram viver sob as regras do Estado de Direito.

Que o povo brasileiro compreenda o momento histórico que atravessa. E que o futuro não cobre caro demais pela omissão do presente.


Claudio Ramos

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