Aracoiaba vive crise política e administrativa após ruptura entre prefeito e vice

 

Selma Bezerra (vice), Edim Oliveira (Prefeito)

O município de Aracoiaba atravessa um dos momentos políticos mais conturbados de sua história recente. A cidade, localizada no Maciço de Baturité, passou a conviver com disputas judiciais, troca de comando no Executivo, denúncias administrativas e um rompimento público entre grupos que estiveram unidos nas eleições de 2024.

O episódio começou quando a Câmara Municipal declarou a extinção do mandato do prefeito Wellington Silva de Oliveira, conhecido politicamente como Edim Oliveira, após decisão judicial transitada em julgado relacionada a condenação por estelionato, que resultou na suspensão de seus direitos políticos. A medida foi adotada após provocação do Ministério Público Eleitoral. Em seguida, no dia 23 de fevereiro de 2026, a vice-prefeita Selma Maria Bezerra Gomes tomou posse no comando da Prefeitura em solenidade conduzida pelo presidente da Câmara, Pedro Campelo.


Selma Bezerra, Presidente da Câmara Pedro Campelo


A mudança de poder escancarou uma divisão interna no grupo político vencedor de 2024. De um lado, apoiadores de Edim Oliveira defendiam o retorno imediato do prefeito. De outro, aliados de Selma Bezerra e da família Campelo sustentavam a legitimidade da posse da vice-prefeita e cobravam reorganização administrativa.

Durante o curto período em que esteve à frente do município, Selma Bezerra anunciou auditorias internas e relatou uma série de problemas administrativos. Entre eles, atraso salarial de profissionais da saúde terceirizados, falta de medicamentos, equipamentos públicos paralisados por ausência de manutenção e um déficit estimado em R$ 33 milhões, segundo informações divulgadas por aliados da gestão interina. Embora esses números tenham repercutido politicamente, eventuais responsabilidades dependem de apuração técnica e órgãos de controle.

Mesmo em pouco tempo, setores da população relataram melhora no funcionamento de alguns serviços e destravamento de demandas que estavam paradas, o que fortaleceu politicamente o grupo da prefeita interina.

Thiago Campelo, Dra Marilene & Elder Paz, Edim Oliveira


Poucos dias depois, uma reviravolta judicial alterou novamente o cenário. Liminar concedida pela Justiça suspendeu os efeitos do decreto legislativo que havia retirado Edim do cargo, determinando seu retorno imediato à Prefeitura. A decisão também anulou provisoriamente a posse de Selma Bezerra.

O retorno de Edim foi marcado por tensão e tumulto político. Registros da imprensa local apontam confusão e agressões físicas em ambiente ligado à Câmara Municipal, refletindo o clima de radicalização entre grupos adversários.

Na sequência, o prefeito reassumido promoveu exonerações de nomes ligados à vice-prefeita e à família Campelo, aprofundando ainda mais o rompimento político. Do outro lado, aliados de Selma e da família Campelo, afirmam sofrer ataques, calúnias e campanhas de desinformação em grupos de WhatsApp, o que levou o ex-prefeito Thiago Campelo Nogueira a buscar medidas judiciais.

Na última sexta-feira (10), Selma Bezerra tentou reassumir o cargo por meio de pedido liminar urgente, mas a solicitação não foi acolhida de imediato, mantendo o quadro de incerteza institucional.

O que antes era uma aliança eleitoral vitoriosa transformou-se em disputa aberta pelo comando político de Aracoiaba. A cidade permanece dividida, enquanto a definição jurídica do caso ainda depende do julgamento de mérito.

Aracoiaba hoje vive mais que uma disputa de poder: enfrenta uma crise institucional que impacta diretamente a população e os serviços públicos. Enquanto grupos políticos travam batalhas nos tribunais e nas ruas, os moradores aguardam estabilidade administrativa, equilíbrio político e soluções concretas para os problemas do município.

Os próximos capítulos dependerão menos do embate eleitoral e mais das decisões da Justiça e da capacidade de reconstrução política local.

Matéria : Radialista e estudante de Jornalismo Claudio Ramos

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