Brasil enfrenta nova escalada de feminicídios no início de 2026, apesar de pacto nacional de combate à violência
Por Claudio Ramos – CR News Maciço
Os casos de feminicídio seguem em níveis alarmantes no Brasil no início de 2026, confirmando a persistência de uma crise estrutural de violência contra a mulher. Dados recentes indicam que o país encerrou 2025 com números recordes, com média de quatro mulheres assassinadas por dia, totalizando mais de 1.500 vítimas ao longo do ano o maior patamar da última década. A tendência de alta se mantém nos primeiros meses de 2026, com episódios que chocam a opinião pública em diversas regiões.
No Rio Grande do Sul, janeiro foi descrito por autoridades como um mês “sangrento”. Até o início de fevereiro, ao menos 13 feminicídios haviam sido confirmados, além de mais de 30 tentativas de homicídio contra mulheres, revelando um cenário crítico no estado. No Nordeste, o Ceará registrou um caso de grande repercussão: uma influenciadora digital e estudante de biomedicina foi assassinada em meados de fevereiro, reacendendo o debate sobre violência de gênero e a exposição pública das vítimas nas redes sociais.
Em São Paulo, a Justiça tornou réu o suspeito de jogar a companheira do décimo andar de um prédio no bairro do Morumbi, em um crime registrado no início de fevereiro de 2026. O caso gerou comoção e reforçou a discussão sobre a dificuldade de identificar e interromper ciclos de violência doméstica antes que se transformem em tragédias.
A violência ultrapassa fronteiras. Em 16 de fevereiro, foi noticiado o assassinato de uma brasileira nos Estados Unidos, mesmo após ela ter obtido uma ordem protetiva contra o ex-marido. O episódio evidencia falhas na proteção efetiva das vítimas, mesmo quando há decisões judiciais reconhecendo o risco iminente.
Diante do agravamento do quadro, o governo federal, em parceria com o Congresso Nacional e o Judiciário, lançou em 4 de fevereiro de 2026 o pacto “Brasil Unido contra o Feminicídio”. A iniciativa busca integrar políticas públicas, fortalecer a rede de proteção às mulheres e combater a impunidade, considerada um dos fatores que perpetuam a violência de gênero. Paralelamente, operações policiais realizadas em fevereiro resultaram na prisão de dezenas de agressores em todo o país, como parte de uma ofensiva contra crimes de violência doméstica.
Especialistas alertam que o feminicídio é o estágio final de uma cadeia de agressões que inclui violência psicológica, moral, sexual e física. Para além da repressão policial, defendem políticas de prevenção, educação para a igualdade de gênero, fortalecimento das delegacias especializadas e ampliação das casas de acolhimento para mulheres em situação de risco.
A persistência dos números revela que o feminicídio não é um problema isolado, mas uma questão estrutural que exige resposta urgente do Estado e da sociedade. Enquanto os dados seguem em alta, cada caso reforça a necessidade de transformar políticas públicas em proteção real para milhares de mulheres brasileiras.
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