Prefeitos do Maciço de Baturité aprovam extinção da AMSA após impasses e falta de resultados efetivos

 

Criada em 2007 com a missão de resolver os problemas dos lixões e avançar em políticas de saneamento ambiental no Maciço de Baturité, a Associação Pública dos Municípios do Maciço de Baturité para o Saneamento Ambiental (AMSA) teve sua extinção aprovada pela maioria dos prefeitos consorciados durante reunião ordinária realizada nesta segunda-feira (12), na sede da Aprece, em Fortaleza.

A decisão ocorre após a eleição da nova diretoria da entidade, escolhida em Assembleia Geral Ordinária no dia 6 de dezembro de 2024. A gestão para o biênio 2025–2026 tomou posse em 31 de dezembro de 2024 e tem como presidente o prefeito de Pacoti, Marcos Nojosa, eleito em 2024. Na mesma assembleia que definiu a diretoria, também foram apreciados o orçamento e o contrato de rateio para o exercício de 2025.

Com o passar do tempo, divergências entre prefeitos integrantes do consórcio e a nova direção se intensificaram. Gestores municipais passaram a discordar da forma como a administração vinha sendo conduzida, o que gerou conflitos internos e boatos sobre uma possível saída de municípios do consórcio.

Diante do agravamento da crise, o presidente da AMSA convocou uma reunião ordinária com o objetivo de “sanear os problemas”. Pessoas ligadas à Prefeitura de Pacoti chegaram a afirmar que a situação estaria pacificada e que não haveria desligamento de municípios. O cenário, porém, foi outro.

A reunião, marcada por um clima tenso, resultou em um movimento articulado pelos prefeitos de Baturité, Guaramiranga, Itapiúna, Capistrano, Mulungu, Redenção, Barreira e Acarape, que puxaram o pedido formal de extinção do consórcio. A principal justificativa apresentada foi a falta de resultados concretos ao longo de mais de uma década de existência da AMSA.

Embora criada há mais de 10 anos, a associação não conseguiu implementar políticas públicas efetivas de saneamento ambiental. Até o momento, as únicas estruturas construídas foram as Centrais Municipais de Resíduos Sólidos (CMRS), que, segundo os gestores, não entraram em funcionamento. Com a extinção do consórcio, os prédios construídos ficarão sob responsabilidade dos municípios onde estão localizados.

Antes da votação pela extinção, foi proposto o impeachment do presidente da AMSA. Marcos Nojosa, no entanto, afirmou que não colocaria o pedido em votação. Diante disso, o prefeito de Barreira solicitou que fosse apreciada a proposta de extinção do consórcio, que acabou sendo aceita e aprovada por maioria esmagadora.

Votaram contra a extinção apenas os prefeitos de Aracoiaba e de Pacoti, este último presidente da AMSA.

O prefeito de Baturité, Herbelh Mota, avaliou a decisão como um passo importante para o futuro da região. Segundo ele, “a extinção representa um marco para a possibilidade de investimentos em políticas públicas de sustentabilidade e meio ambiente, já que, embora criado há mais de 10 anos, o atual consórcio nunca entregou nenhuma política efetiva”.

Com o encerramento da AMSA, os prefeitos já sinalizam que o próximo passo será a articulação para a formação de um novo consórcio, com um modelo de gestão diferente e foco em resultados concretos para a pauta ambiental e de resíduos sólidos no Maciço de Baturité.

A reportagem buscou contato com a assessoria da AMSA, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação oficial da Diretoria da Associação.

Matéria Jornalistica por Claudio Ramos - CRNEWS MACIÇO




Comentários