08 de janeiro: três anos de um ataque à democracia que não pode ser esquecida

 




Neste 08 de janeiro de 2026, completam-se três anos do mais grave episódio de tentativa de ruptura da ordem democrática desde a redemocratização do Brasil. Os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, não foram atos isolados nem simples vandalismo: trataram-se de ações coordenadas, com objetivo explícito de desestabilizar o Estado Democrático de Direito e impedir o exercício legítimo do mandato presidencial conquistado nas urnas.

À época, o então recém-empossado presidente Lula, seu vice Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes figuravam entre os alvos de planos criminosos que incluíam, segundo investigações, até mesmo a possibilidade de assassinatos. O que estava em jogo não era um governo específico, mas a própria democracia brasileira.

Nesse contexto, causa profunda preocupação a aprovação, pelo Congresso Nacional, de um Projeto de Lei da dosimetria, que prevê a redução das penas para crimes relacionados aos atos golpistas, inclusive para investigados e condenados pelos ataques de 8 de janeiro. Tal medida representaria um grave retrocesso institucional, ao sinalizar leniência com crimes contra a democracia.

Diante disso, o presidente Lula vetou integralmente o PL da dosimetria. O veto não foi apenas coerente foi necessário. Seria uma contradição histórica que o próprio presidente, eleito democraticamente e alvo direto da tentativa de golpe, sancionasse uma lei que abrandasse punições contra aqueles que tentaram impedir sua posse e seu mandato.

A Câmara dos Deputados já sinaliza a intenção de derrubar o veto, que será levado ao STF porque é uma PL flagrantemente inconstitucional, segundo diversos especialistas do direito constitucional. O Congresso em derrubando o veto presidencial, assumem a responsabilidade diretamente para cada parlamentar. Em outubro de 2026, todos estarão sob o escrutínio do voto popular, e a sociedade terá o direito e o dever de cobrar posicionamentos claros: a favor da democracia ou da impunidade.

O 8 de janeiro não pode ser esquecido. Apagar ou relativizar esse episódio é abrir caminho para que atos semelhantes se repitam no futuro. Democracias não morrem apenas por golpes bem-sucedidos, mas também pela naturalização do absurdo, pela memória curta e pela complacência com quem atentou contra a Constituição.

Lembrar o 8 de janeiro é, acima de tudo, um ato de defesa da democracia brasileira.

Matéria Claudio Ramos

Radialista e estudante de Jornalismo


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