A farsa da culpa: a direita governa o Brasil e insiste em acusar O PT

                              

Há mentiras que só sobrevivem porque são repetidas à exaustão. No Brasil, uma das mais convenientes para a direita é a de que o PT governa o país e, portanto, seria responsável por todos os seus problemas. Os números, porém, desmontam essa farsa com uma clareza constrangedora.

O Partido dos Trabalhadores governa apenas 4 dos 26 estados brasileiros. Das cerca de 5.500 prefeituras, somente 250 são petistas. No universo de 60 mil vereadores, o PT elegeu aproximadamente 3 mil. No Senado, são 8 entre 81. Na Câmara Federal, 67 deputados em um total de 513.

Isso não é hegemonia.
Isso é minoria política.

Ainda assim, a direita insiste em vender a narrativa de que o PT “domina o Brasil” e “destrói o país”. Trata-se de uma inversão deliberada da realidade. Quem governa a maior parte dos estados, dos municípios e controla a maioria do Congresso Nacional são partidos de direita e centro-direita, muitos deles no poder há décadas.

O poder está com quem acusa

É preciso corrigir uma distorção central do debate público: o orçamento público é executado pelo Poder Executivo, mas quem o aprova, altera e redefine prioridades é o Congresso Nacional. O governo apresenta uma proposta orçamentária baseada em seu programa eleito nas urnas, porém esse orçamento é profundamente modificado pelo Legislativo, que o molda conforme seus próprios interesses e prioridades frequentemente muito diferentes das do governo.

Portanto, o Executivo governa sob limites claros impostos por um Congresso majoritariamente conservador, que controla emendas, travas orçamentárias e grande parte da destinação dos recursos públicos.

Na prática, o poder real sobre o Estado brasileiro está pulverizado e fortemente concentrado em estruturas políticas que não são do PT.

É exatamente nessas estruturas que a Polícia Federal atua com mais intensidade. As grandes operações contra corrupção, desvios de recursos públicos, fraudes em licitações e esquemas eleitorais atingem, majoritariamente, grupos políticos que estão há anos no comando da máquina pública, especialmente nos estados, municípios e no Parlamento.

Corrupção não nasce de ideologia. Ela nasce da permanência prolongada no poder sem controle efetivo, da captura do Estado por interesses privados e do uso da política como meio de enriquecimento. Isso explica por que os alvos recorrentes das investigações não coincidem com o discurso raivoso que circula nas redes sociais.

Sem números, sem hegemonia e sem controle real do Estado, resta à direita um único caminho: culpar o PT. Criar um inimigo permanente é mais fácil do que explicar por que, governando quase tudo, o país ainda convive com desigualdade, serviços públicos precários e escândalos sucessivos.

Essa estratégia não é nova. Sempre que investigações avançam, sempre que esquemas são revelados, o roteiro se repete: transfere-se a culpa para a esquerda, atacam-se instituições, desacredita-se a imprensa e tenta-se reescrever a própria história.

Os fatos são teimosos. O PT não controla o Brasil. Nunca controlou. Governa hoje o Executivo federal sob cerco permanente de um Congresso conservador, refém do centrão e de seus interesses. Mesmo assim, é tratado como se fosse o epicentro de todos os males nacionais.

Essa distorção não é inocente. Ela serve para proteger quem realmente manda, blindar estruturas de poder e manter a população confusa, dividida e distante da verdade.

O Brasil não precisa de mais slogans nem de inimigos imaginários. Precisa de honestidade política.
E a honestidade começa reconhecendo o óbvio: quem controla a maior parte do poder político e institucional do país é a direita  e é ela que precisa responder por seus atos.

Enquanto isso não for dito com todas as letras, a mentira seguirá fazendo barulho.
Mas os números, cedo ou tarde, sempre falam mais alto.


Claudio Ramos

Radialista e Estudante de jornalismo


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