O papel do Congresso Nacional é, por excelência, garantir a governabilidade e dar voz aos anseios da população. É na Câmara e no Senado que as dores do Brasil deveriam encontrar remédio através de leis, debates e soluções. Mas o que assistimos hoje é o oposto: quando o Legislativo fecha os olhos para a realidade das ruas e passa a priorizar brigas de bastidores, vaidades e interesses de grupos políticos, o povo passa a ser solenemente ignorado.
A notícia que vem de Brasília, apurada pelo jornalista Valdo Cruz, é um soco no estômago de quem trabalha: o Congresso Nacional simplesmente não vai votar nada de relevante até que as eleições terminem. Uma paralisia institucional justificada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sob a eterna e cômoda desculpa da "falta de acordo".
Enquanto as excelências trancam as portas para articular apoios e garantir fatias de poder, pautas urgentes, que mudariam a vida de milhões de cidadãos, vão dormir o sono dos justos nas gavetas do Senado.
Veja o tamanho do absurdo: a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 — uma proposta que conta com o apoio de oitenta por cento da população brasileira, que mexe com a saúde mental, o descanso e a dignidade de quem carrega a economia nas costas — teve sua tramitação completamente travada pelo Senado.
Junto com ela, a PEC da Segurança Pública também foi deixada de lado. Em um país que vive sob o medo, onde a violência é uma das maiores preocupações do povo brasileiro, a segurança pública vira segundo plano para os parlamentares.
Também estão congelados projetos estratégicos como a regulamentação da exploração de terras raras e o uso de receitas extras do petróleo para tentar baratear o combustível que pesa no bolso de quem roda todo santo dia. Tudo parado.
O diagnóstico é claro e doloroso: ao invés de priorizar o interesse público, o que se observa é um Congresso voltado para si mesmo. As brigas internas e o cálculo eleitoral foram colocados acima das necessidades de um país que tem pressa.
O Brasil não tira férias de seus problemas. A insegurança não tira licença, o cansaço do trabalhador não espera a eleição passar e o custo de vida não congela até a abertura das urnas. Governabilidade não pode ser moeda de troca para vaidades pessoais. Quando os representantes do povo decidem cruzar os braços, é a democracia que perde a força e o cidadão que paga a conta.
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